A primeira decepção amorosa de Deise foi aos sete anos de idade. Dizem que histórias contadas sobre essa fase da vida costumam ser mentirosas. Mas no caso de Deise, não. Aconteceu de fato. Vou-lhes contar.
No prédio de 20 andares e oito apartamentos por andar onde morava havia um rapaz de mais ou menos 21 um anos... por aí, que costumava chamar a então pequena Deise de “minha noiva”. O nome dele era Igor e esse era o seu jeito de demonstrar carinho por aquela menina branquinha, magrinha e lourinha, de cabelos longos e um olhar desconfiado e observador que o encantava tanto.
“Hoje em dia, jamais poderia tratá-la assim. Iam pensar que eu era pedófilo”, comenta sorrindo o atualmente economista de quarenta e poucos.
Ela, por sua vez, se sentia uma garota de sorte (Igor era bonito) e realmente acreditava que cresceria e se casaria com o seu belo “noivo”.
Mas, um dia, numa festa junina do prédio, o irmão mais velho de Deise – por ciúme ou pura maldade, vai entender – resolveu acabar com aquele namoro “fictício” fazendo uma típica intriga de novela.
“Você é uma bobona. Ele diz isso para todas as meninas do prédio. Quer ver?” E assim levou-a próximo à barraca onde Igor vendia refrigerantes no exato instante em que uma outra menina, mais ou menos da idade de Deise, era atendida por ele. Os dois conversavam e sorriam. Deise não ouvia o que eles diziam, mas seu irmão sim: “Alá, ele também a está chamando de minha noiva, sua bobona!”
Pronto. Tudo ficou escuro. Já não havia mais fogueira, balões coloridos, pés-de-moleque ou maçã do amor. A festa havia acabado para Deise. Seu pequeno mundo de príncipe e princesa estava no chão.
“Não, não é verdade... só Deise eu chamada de ‘minha noiva’”, lembra Igor, consternado e sincero.
Mas Deise acreditou no irmão.
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O tempo passou.
Jovem, ficou – agora, sim – noiva de um sargento da aeronáutica por quem dedicava um amor apaixonaaado. Desses que não se consegue fazer nada sem ele: “Ah, só tem graça se ele for”. Pois, bem. Mas, quase no mês do casamento, acontece sua segunda e real decepção: pegou o dito cujo com outra. E, para piorar ainda mais, seu pai veio a falecer logo em seguida.
No enterro, cobre o corpo do pai com o véu do vestido sem serventia e promete a si mesma que jamais amará outro homem novamente. “Enterro com meu pai o meu sonho.”
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Mas o tempo passa. Graças a Deus.
E, hoje, Deise é uma mulher madura, casada com um fisioterapeuta inglês, mãe de três lindas meninas britânicas. Ela, também, fisioterapeuta. “Ah, estou feliz, sim”.
Moral da história: uma mulher só está pronta para "subir ao altar" e viver concretamente o amor depois que enterra os seus véus.