domingo, 2 de maio de 2010

Questionamentos

Tenho pensado no que seja envelhecer.
Se é isso, acho muito triste.

Mas resisto à tristeza e prefiro adotar a condição de observadora – que, no fim das contas, sempre esteve aqui, escondida entre gritos e gestos. E me questiono:

Se envelhecer é perder os amigos de vista, é triste.
Guardar somente na memória chás e risadas, é triste.
Agarrar com unhas e dentes eventos e aniversários, em que mal se conversa e mal e mal nos vemos, é triste, sim.

Pegar no telefone e imediatamente o colocar no gancho por julgar que “ah, pra quê?”
Desistir de insistir e não ter mais nem o movimento da decepção a empurrar o afeto... ah, meu Deus, pra quê.

Não esperar mais respostas. Não esperar mais carinho. Não esperar mais a palavra que salva – ela já veio! Essa boca enorme da carência que nem se importa mais de ser preenchida.

Comer sushi sem vontade.
Sequer sonhar em sonhar.

Sonhar viajar, sonhar viver, sonhar sonhar!
Querer sonhar.

Será isso?

De qualquer forma, resisto à tristeza e até gargalho de vez em quando.
Os conhecidos me dizem: “nossa você é tão alegre!”

E sou mesmo.
Em algum canto de minha história, ainda resta um sorriso

para você.