domingo, 2 de maio de 2010

Questionamentos

Tenho pensado no que seja envelhecer.
Se é isso, acho muito triste.

Mas resisto à tristeza e prefiro adotar a condição de observadora – que, no fim das contas, sempre esteve aqui, escondida entre gritos e gestos. E me questiono:

Se envelhecer é perder os amigos de vista, é triste.
Guardar somente na memória chás e risadas, é triste.
Agarrar com unhas e dentes eventos e aniversários, em que mal se conversa e mal e mal nos vemos, é triste, sim.

Pegar no telefone e imediatamente o colocar no gancho por julgar que “ah, pra quê?”
Desistir de insistir e não ter mais nem o movimento da decepção a empurrar o afeto... ah, meu Deus, pra quê.

Não esperar mais respostas. Não esperar mais carinho. Não esperar mais a palavra que salva – ela já veio! Essa boca enorme da carência que nem se importa mais de ser preenchida.

Comer sushi sem vontade.
Sequer sonhar em sonhar.

Sonhar viajar, sonhar viver, sonhar sonhar!
Querer sonhar.

Será isso?

De qualquer forma, resisto à tristeza e até gargalho de vez em quando.
Os conhecidos me dizem: “nossa você é tão alegre!”

E sou mesmo.
Em algum canto de minha história, ainda resta um sorriso

para você.


quarta-feira, 10 de março de 2010

love after love

Sim, eu conseguirei! Conseguirei fazê-lo entender que quanto mais você foge de mim, mais me ama, seu grande tolo. Que sua tristeza crônica vem da falta que meu ar distraído e nublado faz em sua vida cheia de tarefas inúteis. Contas para pagar. Que quando dirige o seu carro e ouve surpreso tocar ‘Believe’, da Cher, em uma rádio nada comercial como essa, não gira o botão à procura de clássicos porque no fundo no fundo você passou até a gostar da Cher por minha causa.

Eu conseguirei fazê-lo entender que seus rompantes de procurar aquela antiga namorada não passam de um pedido de socorro insano a clamar por mim. Sua última tentativa de provar para si mesmo que o meu beijo não está colado na sua saliva de macho inquieto. E teimoso.

Farei você entender que o amor e a liberdade vêm juntos sim. São crias do mesmo berçário. Mas que liberdade e reclusão não são farinha do mesmo saco. Que solidão espantada é fruto do medo de ser um sujeito alegre e firme.

Que o fato de você ter se habituado a crer em suas próprias lendas não faz de você um homem liberto.

Continue, meu amor, continue tentando fugir de mim enquanto acelera nessa trilha acidentada rumo a si mesmo. “Do You Believe Love After Love?” O amor depois do amor, sou eu, meu amor. Sou eu.