Outro dia, um mimo de criatura, que só quem conhece mesmo para entender, me contou que havia apagado seu blog para sempre porque não queria saber de ser "mais um copo boiando na rede".
Ora bolas.
O receptor está morto! Não há como reverter isso. Pelo menos não aqui nesse ambiente.
Nos transformamos todos em “emissores”. Receptores de nós mesmos, com bem explica Baudrillard no livro “A Transparência do Mal”.
O OUTRO não existe mais e nos tornamos assim o nosso próprio inferno.
Sim, senhores. O inferno não são mais os outros.
Por isso fica tão difícil manter uma página como essa sem ter ao certo a quem endereçá-la.
Mesmo, enfim, que haja aqui ou ali um ou dois leitores.
Então.
Pois esse mimo de criatura tinha inúmeros motivos para apagar seu belo blog, mas o que mais me chamou a atenção foi não querer ser “mais um copo boiando na rede”.
Talvez porque eu saiba que nem mesmo ela lerá esse texto caso não lhe mande um e-mail pedindo encarecidamente que, por favor, o leia.
Já foi tempo que o sujeito era morto
E sem receptor, meu Deus, o que somos?
Um bando de coitados boiando boiando boiando...
O pior:
A gente nem se importa.
Noite do dia 15/04/08
quinta-feira, 17 de abril de 2008
quinta-feira, 13 de março de 2008
Aline
Conhecer Aline
me fez rever conceitos
e compreender a estranheza com outros olhos.
Bons olhos.
Conhecer Aline
me fez ser o azul e o verde na estrada que leva ao distante azul de outros céus.
Querer sambar
aprender a sambar
frequentar mais a Lapa.
Dormir com um desconhecido e acordar refeita.
Conhecer Aline
me fez querer ser um viralata da Beltrão
correndo manco e feliz pelas ruas do bairro
atrás de restos de churrasco e alguma brincadeira.
Viralata feliz.
Conhecê-la
me fez ter vontade de mandar a Pitty tomar tenência
e de dizer a Luciana que ela devia botar limites no filho e não deixar que ele judie do gatinho recém adotado da casa.
E disse.
Parar de fngir que tem um marido. De fingir para si mesma.
Isso não disse.
Conhecer a Aline
me fez querer dizer não
Amar a Deus sobre todas as coisas
e rezar para o Aluízio.
Não ter mais pena de ninguém
muito menos de mim
ao contrário
dizer sim para mim
e sinceramente sorrir para quem não se importa comigo.
O bom de conhecer a Aline, meu Deus, é amá-la
sem precisar dela
para nada
e simplesmente desejar sua companhia
sem delongas ou dramas.
Conhecer a Aline, aliás,
me fez criar outra Aline
que conheceu outra Valéria
em um universo paralelo
da espuma quântica
proferida por físicos visionários.
Hahahahahaha!
Essa foi boa, não?
:-)
Conhecer a Aline – quer saber? –
me fez amar Marcela Cunha e Sérgio Gramático
como a nenhuma outra dupla!
e querer cantar com eles
aproveitar a vida com eles!
casal gente boa pra caramba.
Conhecer a Aline, enfim,
me faz dizer que a escalada me faz um bem enorme
quando, na verdade, quem me faz um bem enorme é a Aline!
E amar sua concretude
sua inteireza
seus deslizes imperdoáveis e honestamente assumidos
com direito a perdão pela cara lavada.
Conhecer a Aline
me faz reverenciar ainda o homem que a reverencia
sua imagem pouco nítida
miragem infante masculina
Sim, me encantar!
Me encantar com o Guga
por ser o homem que desposou essa Aline.
Também o amo por isso.
Ah, conhecer Aline...
Madrugada e manhã do dia 13/03/08
me fez rever conceitos
e compreender a estranheza com outros olhos.
Bons olhos.
Conhecer Aline
me fez ser o azul e o verde na estrada que leva ao distante azul de outros céus.
Querer sambar
aprender a sambar
frequentar mais a Lapa.
Dormir com um desconhecido e acordar refeita.
Conhecer Aline
me fez querer ser um viralata da Beltrão
correndo manco e feliz pelas ruas do bairro
atrás de restos de churrasco e alguma brincadeira.
Viralata feliz.
Conhecê-la
me fez ter vontade de mandar a Pitty tomar tenência
e de dizer a Luciana que ela devia botar limites no filho e não deixar que ele judie do gatinho recém adotado da casa.
E disse.
Parar de fngir que tem um marido. De fingir para si mesma.
Isso não disse.
Conhecer a Aline
me fez querer dizer não
Amar a Deus sobre todas as coisas
e rezar para o Aluízio.
Não ter mais pena de ninguém
muito menos de mim
ao contrário
dizer sim para mim
e sinceramente sorrir para quem não se importa comigo.
O bom de conhecer a Aline, meu Deus, é amá-la
sem precisar dela
para nada
e simplesmente desejar sua companhia
sem delongas ou dramas.
Conhecer a Aline, aliás,
me fez criar outra Aline
que conheceu outra Valéria
em um universo paralelo
da espuma quântica
proferida por físicos visionários.
Hahahahahaha!
Essa foi boa, não?
:-)
Conhecer a Aline – quer saber? –
me fez amar Marcela Cunha e Sérgio Gramático
como a nenhuma outra dupla!
e querer cantar com eles
aproveitar a vida com eles!
casal gente boa pra caramba.
Conhecer a Aline, enfim,
me faz dizer que a escalada me faz um bem enorme
quando, na verdade, quem me faz um bem enorme é a Aline!
E amar sua concretude
sua inteireza
seus deslizes imperdoáveis e honestamente assumidos
com direito a perdão pela cara lavada.
Conhecer a Aline
me faz reverenciar ainda o homem que a reverencia
sua imagem pouco nítida
miragem infante masculina
Sim, me encantar!
Me encantar com o Guga
por ser o homem que desposou essa Aline.
Também o amo por isso.
Ah, conhecer Aline...
Madrugada e manhã do dia 13/03/08
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Para Vínícius
Aquela era a barca dos desvalidos
Dos restos da noite
Michês
mal-amados
sem vez
Exceto por ele
Aquele moleque safado
insistente
desobediente
Que trouxe à proa uma nova alegria
um alento
a brincadeira
a malemolência
gracejos
Sente. A brisa noturna envolvendo o breu
Ouve. A água escura roçando o casco.
Veja
A madrugada nunca mais será a mesma
depois dele
Não mais.
Madrugada do dia 17/02/08
Dos restos da noite
Michês
mal-amados
sem vez
Exceto por ele
Aquele moleque safado
insistente
desobediente
Que trouxe à proa uma nova alegria
um alento
a brincadeira
a malemolência
gracejos
Sente. A brisa noturna envolvendo o breu
Ouve. A água escura roçando o casco.
Veja
A madrugada nunca mais será a mesma
depois dele
Não mais.
Madrugada do dia 17/02/08
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Súplica
Você adoraria aprender o caminho reto da amizade com Deus.
Mais do que aprender, vivê-lo.
E, no entanto, SABE que a única forma de trilhá-lo é através do perdão.
Ah, você já foi um ser tão execrável... pior do que hoje suportaria ser.
Aos amigos sinceros deve a paciência que tiveram.
O carinho. O afeto.
........................................................................................
Agradeço a Deus por isso.
E suplico que me conceda o mesmo dom da espera.
A mesma fé.
Conceda-me um coração disposto.
A graça de perdoar.
Madrugada do dia 14/02/08
Mais do que aprender, vivê-lo.
E, no entanto, SABE que a única forma de trilhá-lo é através do perdão.
Ah, você já foi um ser tão execrável... pior do que hoje suportaria ser.
Aos amigos sinceros deve a paciência que tiveram.
O carinho. O afeto.
........................................................................................
Agradeço a Deus por isso.
E suplico que me conceda o mesmo dom da espera.
A mesma fé.
Conceda-me um coração disposto.
A graça de perdoar.
Madrugada do dia 14/02/08
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Sim, é esta a via
Inúmeras vezes você ainda vai se perguntar por que diabos não escolheu trilhar outros encantos. As vias paralelas do destino. Os desvios.
Às vezes também se perguntará se a sua vida já não é ela mesma um caminho torto há muito tempo desviado.
O acaso de se pegar um atalho e nele ficar por puro desleixo ou distração.
E, depois, esquecer.
A verdadeira lembrança.
Manhã do dia 02/02/08
Às vezes também se perguntará se a sua vida já não é ela mesma um caminho torto há muito tempo desviado.
O acaso de se pegar um atalho e nele ficar por puro desleixo ou distração.
E, depois, esquecer.
A verdadeira lembrança.
Manhã do dia 02/02/08
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
vento a favor
Você me salvou de você.
E o que é melhor.
Com tamanha inocência,
que jamais saberá.
Tarde do dia 27/01/08
............................................
Acordou inspirada.
Um vento novo arejava o quarto, o semblante, os cabelos. Seus pensamentos rarefeitos.
Desejou ousar. E dar margem àquele impulso que a sequestrou de sua mesmice matinal.
Criou coragem, não ligou para ninguém, isso mesmo que eu disse: NINGUÉM. E por si mesma decidiu. Vestiu o biquini, um antigo vestido surrado de histórias e sonhos e foi.
Pegou também uns trocados e jogou uma garrafa d'água na bolsa de crochê que sua tia havia lhe dado faz tempo.
Foi bom guardá-la.
Era cedo ainda. Bem cedo.
Um ar gelado sequer prenunciava o sol que o dia prometia. E você aproveitou para andar calmamente até à praia.
A um quarteirão da areia, seu coração deu uma leve desgovernada, batendo um pouco mais forte que o de costume.
O friozinho antes do salto.
Respirou fundo e seguiu.
Continuou andando rumo à sua ousadia.
Pequena, vá lá, mas sua.
......................................................................
Fora o merguho mais prazeroso que já dera em sua vida.
Como o Ano Novo em que passou sozinha sob uma chuva fina.
O aniversário que comemorou com duas amigas do ginásio.
E o Natal em que todos viajaram. E só você ficou.
Sim, menina, você tem vocação para a felicidade.
É, você tem.
Noite do dia 27/01/08
E o que é melhor.
Com tamanha inocência,
que jamais saberá.
Tarde do dia 27/01/08
............................................
Acordou inspirada.
Um vento novo arejava o quarto, o semblante, os cabelos. Seus pensamentos rarefeitos.
Desejou ousar. E dar margem àquele impulso que a sequestrou de sua mesmice matinal.
Criou coragem, não ligou para ninguém, isso mesmo que eu disse: NINGUÉM. E por si mesma decidiu. Vestiu o biquini, um antigo vestido surrado de histórias e sonhos e foi.
Pegou também uns trocados e jogou uma garrafa d'água na bolsa de crochê que sua tia havia lhe dado faz tempo.
Foi bom guardá-la.
Era cedo ainda. Bem cedo.
Um ar gelado sequer prenunciava o sol que o dia prometia. E você aproveitou para andar calmamente até à praia.
A um quarteirão da areia, seu coração deu uma leve desgovernada, batendo um pouco mais forte que o de costume.
O friozinho antes do salto.
Respirou fundo e seguiu.
Continuou andando rumo à sua ousadia.
Pequena, vá lá, mas sua.
......................................................................
Fora o merguho mais prazeroso que já dera em sua vida.
Como o Ano Novo em que passou sozinha sob uma chuva fina.
O aniversário que comemorou com duas amigas do ginásio.
E o Natal em que todos viajaram. E só você ficou.
Sim, menina, você tem vocação para a felicidade.
É, você tem.
Noite do dia 27/01/08
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
expressões
"Praga Emocional". Acho que é essa a expressão que se dá quando alguém fala mal de uma pessoa para uma terceira ainda.
No popular: "queimar o filme".
Se bem que queimar o filme não vai tanto na questão quanto a primeira.
Praga emocional é + forte e nos remete a nós mesmos.
A como se pode ser mesquinho por conta de presunção ou magoazinha barata.
A como se pode ser horrível às vezes. Pra não dizer muito.
madrugada do dia 20/01/08
No popular: "queimar o filme".
Se bem que queimar o filme não vai tanto na questão quanto a primeira.
Praga emocional é + forte e nos remete a nós mesmos.
A como se pode ser mesquinho por conta de presunção ou magoazinha barata.
A como se pode ser horrível às vezes. Pra não dizer muito.
madrugada do dia 20/01/08
em silêncio
Você finalmente entendeu que rir pra dentro é mais divertido.
Não aquele rir pra dentro que depois ajoelha e lanha as costas de ódio por não ter revidado na hora. Nada disso.
Mas rir pra dentro mesmo.
Guardar a réplica, economizar palavras.
Pra que se explicar...
Deixe que o outro pense os equívocos que quiser de você.
Deixa... seja generoso.
.......................................
Vai por mim, deixa.
Noite do dia 18/01/08
Não aquele rir pra dentro que depois ajoelha e lanha as costas de ódio por não ter revidado na hora. Nada disso.
Mas rir pra dentro mesmo.
Guardar a réplica, economizar palavras.
Pra que se explicar...
Deixe que o outro pense os equívocos que quiser de você.
Deixa... seja generoso.
.......................................
Vai por mim, deixa.
Noite do dia 18/01/08
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
louvor
Engraçado perceber velhos conhecidos vendo em você uma pessoa que há muito deixou para trás.
Ou teria sido ontem?
Um pouco antes, talvez?
Não importa.
Aprendera a amar.
E é tão fácil, acreditem.
É fácil amar.
Basta um instante e... pronto, no outro, já se sabe.
Como quando aprendemos a dar laço no sapato.
Não sabemos bem em que momento o raciocínio se deu e o laço se fez.
Mas sabemos, a partir de então, que é possível viver.
E, não, meus senhores.
Não é difícil.
É doce.
.............................................................................................
Estar vivo é uma forma de amar.
Será isso agradecer?
ainda noite do dia 14/01/08
Ou teria sido ontem?
Um pouco antes, talvez?
Não importa.
Aprendera a amar.
E é tão fácil, acreditem.
É fácil amar.
Basta um instante e... pronto, no outro, já se sabe.
Como quando aprendemos a dar laço no sapato.
Não sabemos bem em que momento o raciocínio se deu e o laço se fez.
Mas sabemos, a partir de então, que é possível viver.
E, não, meus senhores.
Não é difícil.
É doce.
.............................................................................................
Estar vivo é uma forma de amar.
Será isso agradecer?
ainda noite do dia 14/01/08
rito diário
Sim. Um ritual cotidiano e bom.
Lavar o chão e regar as plantas com água o bastante.
O cheiro do limo que se desprende dos muros invade as narinas e tudo ao redor, em um segundo, torna-se generosidade e grandeza: um torpor.
Você está looonge... longe.
Exatamente onde deseja estar.
E-xa-ta-men-te ali.
noite do dia 14/01/08
Lavar o chão e regar as plantas com água o bastante.
O cheiro do limo que se desprende dos muros invade as narinas e tudo ao redor, em um segundo, torna-se generosidade e grandeza: um torpor.
Você está looonge... longe.
Exatamente onde deseja estar.
E-xa-ta-men-te ali.
noite do dia 14/01/08
portal
Da janela, via o morro da Santa.
Ainda há verde nele.
E o azul claro sobre a nesga de mata na manhã levava seus afetos a outros céus que não este.
Um portal.
Por algum viés impossível de explicar em linguagem humana, encontrava-se exatamente sob a brisa fresca do lugar que concebera como portal.
Ali, onde sua jornada começara.
Seria isto amadurecer?
.......................................................
Não revelo nomes.
"Que seja em segredo".
madrugada do dia 13/01/08
Ainda há verde nele.
E o azul claro sobre a nesga de mata na manhã levava seus afetos a outros céus que não este.
Um portal.
Por algum viés impossível de explicar em linguagem humana, encontrava-se exatamente sob a brisa fresca do lugar que concebera como portal.
Ali, onde sua jornada começara.
Seria isto amadurecer?
.......................................................
Não revelo nomes.
"Que seja em segredo".
madrugada do dia 13/01/08
novos ares
Estava reaprendendo a ser.
E, ao contrário do que pensara, não era tarefa de duras penas.
Tudo corria calma e suavemente a ponto de lhe causar estranheza.
De certa forma, um temor: seria isso enlouquecer?
tarde de janeiro
12/01/08
E, ao contrário do que pensara, não era tarefa de duras penas.
Tudo corria calma e suavemente a ponto de lhe causar estranheza.
De certa forma, um temor: seria isso enlouquecer?
tarde de janeiro
12/01/08
nova estação
Desde então, passou a gostar da sensação de sol no corpo.
A andar pelas ruas, tarde a pino, sentindo o manto abafado do tempo sobre a pele, antes avessa a claridades. O vapor do dia embotando a mente.
A cabeça pesando. O suor escorrendo e umedecendo as vestes.
Desde então, já o disse, passou a ter prazer nisso.
Você que sempre buscou as sombras das marquises, o frescor outonal, agora encara heroicamente a ferida exposta da estação.
E, às favas, protetor solar.
O que você quer mesmo é isso: ardência.
Arder.
Você quer arder.
Talvez assim se baste.
verão ardente
madrugada de janeiro
em 12/01/08
A andar pelas ruas, tarde a pino, sentindo o manto abafado do tempo sobre a pele, antes avessa a claridades. O vapor do dia embotando a mente.
A cabeça pesando. O suor escorrendo e umedecendo as vestes.
Desde então, já o disse, passou a ter prazer nisso.
Você que sempre buscou as sombras das marquises, o frescor outonal, agora encara heroicamente a ferida exposta da estação.
E, às favas, protetor solar.
O que você quer mesmo é isso: ardência.
Arder.
Você quer arder.
Talvez assim se baste.
verão ardente
madrugada de janeiro
em 12/01/08
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