quinta-feira, 17 de abril de 2008

Réquiem para um blog apagado

Outro dia, um mimo de criatura, que só quem conhece mesmo para entender, me contou que havia apagado seu blog para sempre porque não queria saber de ser "mais um copo boiando na rede".

Ora bolas.

O receptor está morto! Não há como reverter isso. Pelo menos não aqui nesse ambiente.
Nos transformamos todos em “emissores”. Receptores de nós mesmos, com bem explica Baudrillard no livro “A Transparência do Mal”.

O OUTRO não existe mais e nos tornamos assim o nosso próprio inferno.

Sim, senhores. O inferno não são mais os outros.

Por isso fica tão difícil manter uma página como essa sem ter ao certo a quem endereçá-la.
Mesmo, enfim, que haja aqui ou ali um ou dois leitores.

Então.

Pois esse mimo de criatura tinha inúmeros motivos para apagar seu belo blog, mas o que mais me chamou a atenção foi não querer ser “mais um copo boiando na rede”.

Talvez porque eu saiba que nem mesmo ela lerá esse texto caso não lhe mande um e-mail pedindo encarecidamente que, por favor, o leia.

Já foi tempo que o sujeito era morto

E sem receptor, meu Deus, o que somos?

Um bando de coitados boiando boiando boiando...

O pior:
A gente nem se importa.

Noite do dia 15/04/08

2 comentários:

Lili disse...

É tudo verdade. Tudinho, só não sei se foi por acaso, ou se eu escrevi mesmo copo, mas a idéia era um "corpo boiando" :-)
Um copo me lembra uma coisa parecida sim, porque as pessoas jogam de tudo na barca Rio/Niterói não é? Olha que coisa curiosa... Corpo eu nunca vi, mas copo já vi de montão.
Recipientes inutilizados uma vez que seu líquido já foi sorvido, e jazem alí boiando, nem cheios nem vazios, apenas preenchidos pela água imunda de tantos outros descartes, no ponto que os mantenha nem dentro nem fora.
:-)
Você me perguntou uma vez qual era o endereço do blog do Rodolfo, é:
www.re-peticao.blogspot.com
bjs.

Anônimo disse...

Interessante... eu li, desde o início do texto "corpo" e não COPO, como deveria ser.
Só me atentei para o fato ao ler o comentário de Lili...
Acho que preenchi o copo com o melhor de minha história:meu entendimento.
Repito, não olhei dentro nem fora... foi o Requiem quem criou vida.