segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

É o que é

Existem três tipos de pessoas nesse mundo: as que foram sempre sozinhas e custaram a entender isso; as que sempre foram, mas não se conformam e usam de toda espécie de artimanhas para se sentirem amadas; e as que passaram a ser depois de frustradas tentativas de encontrar seu par.

Creio que me encaixo na primeira descrição.

Sempre fui só. Claro que acreditava que um dia encontraria alguém e, enfim, teria filhinhos... essas coisas. Mas no fundo no fundo sempre fui aquela garota que estava na festa mais como observadora do que participante.

E, com o tempo, isto fez com que eu adquirisse uma paciência extrema em relação às falhas, defeitos, inconcretudes ou impermanências das outras pessoas.

Naturalmente – acredito que nem precisasse dizer – a recíproca nunca foi verdadeira.

Amigos, amantes, companheiros de viagem ou qualquer outro apelido que queira dar aos que passaram por mim ou cruzaram comigo jamais se detiveram aquele tempinho a mais para entender meu motivos. Não eram obrigados, contudo. Ninguém é.

Não sou mulher de provocar falsos mistérios para atrair canalhas otários. Há quem o faça e o faça bem. Mas não integro essa lista. Apesar de invejar - confesso - mulheres que sabem fazer de homens mariposas.

Ou como diz o orixá Exu: “é o que é”.

É isso.

5 comentários:

Felipe Braga disse...

Acho que posso te entender.
Indiferença é uma coisa chata, não? Ela me dilacera.
Por isso, tento entender os motivos das atitudes dos outros, e uma coisa que aprendi neste pouco tempo de vida: Tentar ouvir o que o silêncio me diz.
Val, me responde uma coisa: Essa solidão não te torna vulnerável. Comigo é assim. rs

Beijos.

Sueli Maia (Mai) disse...

Val eu concordo com boa parte do que li mas acrescentaria um tipo de solidão intencional. Bem recentemente ouvi uma mulher que disse não se sentir só porque - para ela a solidão tinha sido opção, prioritária. Tenho cá minhas dúvidas sobre as razões ou desrazões mas enfim, ela não me parecia sofrer, nem no que vi nem ouvi em suas estórias.
Parece que há uma espécie que prescinde de laços e contactos.Como disse "É o que é".

Gostei um tantão da tua escrita.
Abraços e boa semana

Andréa de Freitas Machado disse...

Acho que me enquadro na terceira categoria. Cheguei a pensar que pertencia à primeira categoria. mas seeeeeempre participei das festas. Rs...

Beijos

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Nascemos sós e sós morreremos. É ato unico, intransferível. De resto, oscilamos entre o estar sozinho com nossos próprios botões e o estar sozinho com os botões dos outros...

Eu sempre fui só e este é meu desvairio: a solidão que acolhe o outro e não se permite encolher diante da lágrima.