segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sim, eu amei você

Quando escolhi amar você, jamais podia supor sua incapacidade de sentir um afeto que fosse. Não por falta de aviso, eu sei. Amigos não faltaram em alertar. Mas uma vez a escolha feita, como adestrar meu instinto de posse?
Eu queria você como não quis ninguém antes.
Tudo soava tão diferente... as músicas, os conceitos... até mesmo o passado.
Você era uma luz nova em minha vida. Ou, melhor. Uma escuridão improvável e sedutora.
E eu te amei, minha doce inspiração.
Eu te amei.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Meu urso de pelúcia

Eu sou amiga de um urso de pelúcia muito meigo e fofo.
Ele é tão fofo, tão fofo que
Só dá vontade mesmo de abraçar e ser sua amiga.
A fisionomia da face é um misto de cão sem dono com vontade de chorar, entende?
Uma eterna expressão de coitadinho que não há outra coisa a fazer senão ser sua grande e melhor amiga.
Mas melhor fica por minha conta, ok, porque...
Nunca se sabe, afinal, o que meu urso pensa.
De qualquer forma, estou sempre ao seu lado. Mesmo quando estamos longe um do outro. Sua imagem me acompanha em pensamento.
.......................................................................

Um dia, tive a curiosidade de abri-lo para ver se, além da pelúcia, havia alguma coisa que remetesse a um coração qualquer. Uma pilha, uma almofadinha... sei lá, qualquer coisa que me trouxesse uma vaga impressão de um dia poder ouvi-lo dizer: “também te amo”.
E assim o fiz: eu o abri. Com todo cuidado e carinho que um amigo urso de pelúcia requer.
Mas, qual. Nem pedaços de pano velho havia, acredita?
Ele era oco. O-co.
Assim, nada, sabe? Nada dentro.

.......................................................................

E fiquei lá eu, diante do meu urso de pelúcia de barriga aberta e uma mesma e imutável expressão de quem precisa ser protegido.
Senti tristeza. Fiquei decepcionada. Depois, um pouco de raiva.
Por último, sensação de abandono.
Peguei agulha e linha e costurei, cui-da-do-sa-men-te, a barriga do meu urso.
A cada agulhada, uma dor em mim.
A cada abertura se fechando, meu afeto elaborado.

.......................................................................

Não é que ficou bonitinho? Três cruzinhas brancas como se fossem botões diferentes, destoando da pelúcia marrom que emoldura seu rosto triste.

........................................................................

Passado um instante, coloquei-o no sofá e sentei ao seu lado.
.
.
.
.
.
Estou lá até hoje.


Sábado de outono
Tarde de abril
Em 16.04.2011.