quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Instante de olhar
Jamais voltaria para ele ainda que implorasse de joelhos. Mas o que fazer com a sensação de sonho que insiste em ficar? A saudade é do sonho. Não dele.
Então lembra de quando ele encostou a cabeça na mesa pedindo silenciosamente um gesto de carinho da parte dela. Ela sabia o que ele queria. Mas sua mão ficou inerte. Tombada entre as pernas porque o sonho não estava mais ali. Tornou-se um aroma, uma espécie de névoa que, de qualquer forma, aprisionara seu impulso de se se lançar na escuridão. Cega, triunfante.
Primeiro passo de sua nova vida em direção a ele, a quem não queria mais. Ninguém mais.
Soube, porém, por terceiros, que ele estava bem. E feliz. Pelo menos é o que aparenta sua fisionomia de idiota em Paris num site de relacionamentos igualmente idiota. Na foto, de sobretudo escuro e cachecol, lembra um boneco de neve, ilhado de gelo por todos os lados, em volta do banco de madeira onde sentou para posar, já pensando no olhar de aprovação dos amigos de doutorado. Um meio sorriso bem conhecido da ex revela seu humor: “consegui”.
Mas só ela sabe os mecanismos de que lançou mão para viajar às custas de bolsa acadêmica. Seduzir a orientadora com ar de rapaz que não se presta a isso, imagina, eu… etc etc. Porque era assim que ele seduzia: instigando o desejo vil de certas mulheres em desvirtuar sujeito tão honesto e digno. Incapaz de trapaças.
A isca, aliás, era arrastada até o último minuto de testemunhar papéis assinados e passagem, vaga ou o que quer que o interessasse irremediavelmente em sua mala ou pasta. “Consegui”, com jeito de monge. Cabisbaixo, humilde.
Continuava olhando atentamente aquela foto e percebendo o passado escrito até ali. Até aquele meio sorriso. O mesmo que sorriu, anos atrás, quando a pediu em namoro.
“E se eu tô de dando linha é pra depois te abandonar”, confirma Ana Carolina, de quem ela não era nem fã. “Adoro essa música”, dizia ele com semblante inofensivo.
Não, é claro, sem antes fazê-la acreditar que jamais a abandonaria, “imagina eu… etc etc”, rapaz que não se presta a isso… Bom rapaz.
“Que sonho pequeno”, disse tempos depois certo homem com quem saíra num affair displicente. A quem contara o ocorrido num tom também displicente. “Era esse o sonho dele?”, desprezou.
Pior. Era o único.
Certa vez, perguntara a ele durante um almoço: “E depois? Depois que conseguir…”
Com olhar distante, vago, não deu resposta. O mesmo olhar que, ainda hoje, perdura naquela foto imbecil.
Feliz.
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Este texto também pode ser lido no site
http://segundaasexta.com.br/?p=2322
em que fui convidada do sábado.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Para Amy
Um silêncio que não antecede nadaUm segundo que não define o tempo
Às quatro para o meio-dia tive fome
E fui até a cozinha procurar algo para comer
Em infinitos cantos do planeta
Pessoas comuns como eu
Faziam e deixavam de fazer coisas banais
Envolvidas apenas em respirar
Em serem elas mesmas
Uma cadela sarnenta passou
Quando abri a janela
E o velho do morro na padaria
Sorveu seu café satisfeito
O sol não impediu um vento frio de ventar
E o céu pincelou de azul as águas da baía
Um homem pescando
Uma mulher dando de mamar
Gritos de crianças brincando de brincar
Jovens entre si
Enclausurados em suas próprias conchas
Um dia simples como os córregos
Um fim de semana como tantos outros
E você, darling, suspensa
Nunca mais sarcasmo
Nunca mais dor
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O som que não antecipa a música
O riso que não prevê o fim
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Sim, eu amei você
Eu queria você como não quis ninguém antes.
Tudo soava tão diferente... as músicas, os conceitos... até mesmo o passado.
Você era uma luz nova em minha vida. Ou, melhor. Uma escuridão improvável e sedutora.
E eu te amei, minha doce inspiração.
Eu te amei.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Meu urso de pelúcia
Ele é tão fofo, tão fofo que
Só dá vontade mesmo de abraçar e ser sua amiga.
A fisionomia da face é um misto de cão sem dono com vontade de chorar, entende?
Uma eterna expressão de coitadinho que não há outra coisa a fazer senão ser sua grande e melhor amiga.
Mas melhor fica por minha conta, ok, porque...
Nunca se sabe, afinal, o que meu urso pensa.
De qualquer forma, estou sempre ao seu lado. Mesmo quando estamos longe um do outro. Sua imagem me acompanha em pensamento.
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Um dia, tive a curiosidade de abri-lo para ver se, além da pelúcia, havia alguma coisa que remetesse a um coração qualquer. Uma pilha, uma almofadinha... sei lá, qualquer coisa que me trouxesse uma vaga impressão de um dia poder ouvi-lo dizer: “também te amo”.
E assim o fiz: eu o abri. Com todo cuidado e carinho que um amigo urso de pelúcia requer.
Mas, qual. Nem pedaços de pano velho havia, acredita?
Ele era oco. O-co.
Assim, nada, sabe? Nada dentro.
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E fiquei lá eu, diante do meu urso de pelúcia de barriga aberta e uma mesma e imutável expressão de quem precisa ser protegido.
Senti tristeza. Fiquei decepcionada. Depois, um pouco de raiva.
Por último, sensação de abandono.
Peguei agulha e linha e costurei, cui-da-do-sa-men-te, a barriga do meu urso.
A cada agulhada, uma dor em mim.
A cada abertura se fechando, meu afeto elaborado.
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Não é que ficou bonitinho? Três cruzinhas brancas como se fossem botões diferentes, destoando da pelúcia marrom que emoldura seu rosto triste.
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Passado um instante, coloquei-o no sofá e sentei ao seu lado.
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Estou lá até hoje.
Sábado de outono
Tarde de abril
Em 16.04.2011.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
O tempo de sonhar passou
Mas que saudade, às vezes. Saudade de quando esperá-lo agendava o meu dia e minhas tarefas unicamente para o ato de... esperá-lo. Saudade de quando sua chegada apagava toda e qualquer pequena dúvida ou desentendimento. Quando minha vida se resumia magistralmente na sua simples e imperiosa chegada.
E, no entanto, sei que nada disso pesa para o maior ato de amor que um ser humano pode se dar:
esquecer.
Por misericórdia, esquecer. Por respeito a si próprio, esquecer. Por compaixão e nobreza: esquecer.
Não existe recomeço para uma história sem fim, meu amor.O que seríamos nós, afinal, depois de tudo acabado? Você, um Dom Juan fraterno e eu uma Penélope sem tear?
Vá saber.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Sonho juvenil
Quando menina, quantas vezes imaginei o meu homem a cortar lenha enquanto eu, às voltas com o fogão, vivendo uma vida mansa, mãos na cintura, vento no rosto, a olhar o céu. Uma casa rústica, galinhas cacarejando, gatos a miar. Cada coisa no seu lugar. Homem sendo homem. Mulher sendo mulher.
Meu homem chegando por trás, suado, em busca de água, dando uma leve palmada nos meus flancos e dizendo: “e aí, mulher, tá pronto esse rango?” Risadas, gracejos.
“Tira a mão da panela!” Mais risadas, mais gracejos. Cachorro abanando o rabo para nós. Querendo rir junto. Tudo existindo na mais perfeita ordem. Sim, um sonho rural.
Um sonho.
Mas eu me tornei uma mulher urbana. Com ambições, carreira, às voltas com homens indecisos de sua masculinidade. Assustados com a vida. Tanto quanto eu.
E então conheci você. Tão certo de suas loucuras. Tão afirmativo em suas fraquezas. Tão másculo e frágil ao mesmo tempo. Inteligente, descaralhado, lúcido, louco! Não, não era o homem da lenha. Mas me fez me sentir tão mulher como no meu sonho juvenil.
E agora... nós. Às voltas com nós mesmos.
Será isso o fim?
domingo, 2 de maio de 2010
Questionamentos
Se é isso, acho muito triste.
Guardar somente na memória chás e risadas, é triste.
Agarrar com unhas e dentes eventos e aniversários, em que mal se conversa e mal e mal nos vemos, é triste, sim.
Desistir de insistir e não ter mais nem o movimento da decepção a empurrar o afeto... ah, meu Deus, pra quê.
Sequer sonhar em sonhar.
Os conhecidos me dizem: “nossa você é tão alegre!”
Em algum canto de minha história, ainda resta um sorriso
para você.
quarta-feira, 10 de março de 2010
love after love
Eu conseguirei fazê-lo entender que seus rompantes de procurar aquela antiga namorada não passam de um pedido de socorro insano a clamar por mim. Sua última tentativa de provar para si mesmo que o meu beijo não está colado na sua saliva de macho inquieto. E teimoso.
Farei você entender que o amor e a liberdade vêm juntos sim. São crias do mesmo berçário. Mas que liberdade e reclusão não são farinha do mesmo saco. Que solidão espantada é fruto do medo de ser um sujeito alegre e firme.
Que o fato de você ter se habituado a crer em suas próprias lendas não faz de você um homem liberto.
Continue, meu amor, continue tentando fugir de mim enquanto acelera nessa trilha acidentada rumo a si mesmo. “Do You Believe Love After Love?” O amor depois do amor, sou eu, meu amor. Sou eu.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Impasses
Amo-te, não posso negar. Mas recuso com todas as forças que você me faça prisioneira de sua mente desgovernada, de seus afetos doentios. Às vezes, olho-te enquanto dormes. Ou - não, espere - só escuto o ressonar profundo que vem de você, que vem do quarto, enquanto leio, na sala, o texto derradeiro de nossa própria história. Não compreendo os ditos dessa linguagem, as entrelinhas de seu silêncio masculino e cruel. Cruel! Cruel, sim!
Você me usa o tempo todo. E de forma tão gentil. Acredito na sinceridade cretina dos seus gestos, dos seus destemperos. Você não mente. Ah, lá isso, não! Mentiroso você não é. Nunca foi. Mas sua verdade é também sua grande armadilha. O mel que me atrai para um caminho cada vez mais escuro e tortuoso. Meu corpo lanhado de sangue. Cada vez mais estreito em direção a ti.
"Bem-vinda a mim", você diz. Com a cara lavada de uísque e um sorriso cínico de quem se sabe amado. "Deixa. Deixa ela chorar à vontade. Só eu posso consolá-la. Só EU tenho o que ela quer", declara vitorioso aos amigos de copo e gim.
Em prantos, aguardo de joelhos você voltar. Acendo velas, rezo o terço e imploro a Nossa Senhora em oração que faça de você o meu José. O meu doce e crédulo José. Fugindo comigo para lugares inóspitos e malditos. Assumindo filhos que não são seus. "Dá-me filhos, senão morrerei!"
Lembro da primeira vez que o vi e me enamorei. Não era cínico o seu sorriso. Você me olhou e, entre um sussurro no pescoço de uma sirigaita e outra, me senti a mais desejada das mulheres. A mais amada, a escolhida. Num mar de coxas e seios fartos. E eu. Eu era apenas eu. Diante da promessa de um amor andarilho e repleto de possibilidades que eu jamais um dia ousara ter.
Meu amor.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
É o que é
Existem três tipos de pessoas nesse mundo: as que foram sempre sozinhas e custaram a entender isso; as que sempre foram, mas não se conformam e usam de toda espécie de artimanhas para se sentirem amadas; e as que passaram a ser depois de frustradas tentativas de encontrar seu par.
Creio que me encaixo na primeira descrição.
Sempre fui só. Claro que acreditava que um dia encontraria alguém e, enfim, teria filhinhos... essas coisas. Mas no fundo no fundo sempre fui aquela garota que estava na festa mais como observadora do que participante.
E, com o tempo, isto fez com que eu adquirisse uma paciência extrema em relação às falhas, defeitos, inconcretudes ou impermanências das outras pessoas.
Naturalmente – acredito que nem precisasse dizer – a recíproca nunca foi verdadeira.
Amigos, amantes, companheiros de viagem ou qualquer outro apelido que queira dar aos que passaram por mim ou cruzaram comigo jamais se detiveram aquele tempinho a mais para entender meu motivos. Não eram obrigados, contudo. Ninguém é.
Não sou mulher de provocar falsos mistérios para atrair canalhas otários. Há quem o faça e o faça bem. Mas não integro essa lista. Apesar de invejar - confesso - mulheres que sabem fazer de homens mariposas.
Ou como diz o orixá Exu: “é o que é”.
É isso.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Véus de amor
A primeira decepção amorosa de Deise foi aos sete anos de idade. Dizem que histórias contadas sobre essa fase da vida costumam ser mentirosas. Mas no caso de Deise, não. Aconteceu de fato. Vou-lhes contar.
No prédio de 20 andares e oito apartamentos por andar onde morava havia um rapaz de mais ou menos 21 um anos... por aí, que costumava chamar a então pequena Deise de “minha noiva”. O nome dele era Igor e esse era o seu jeito de demonstrar carinho por aquela menina branquinha, magrinha e lourinha, de cabelos longos e um olhar desconfiado e observador que o encantava tanto.
“Hoje em dia, jamais poderia tratá-la assim. Iam pensar que eu era pedófilo”, comenta sorrindo o atualmente economista de quarenta e poucos.
Ela, por sua vez, se sentia uma garota de sorte (Igor era bonito) e realmente acreditava que cresceria e se casaria com o seu belo “noivo”.
Mas, um dia, numa festa junina do prédio, o irmão mais velho de Deise – por ciúme ou pura maldade, vai entender – resolveu acabar com aquele namoro “fictício” fazendo uma típica intriga de novela.
“Você é uma bobona. Ele diz isso para todas as meninas do prédio. Quer ver?” E assim levou-a próximo à barraca onde Igor vendia refrigerantes no exato instante em que uma outra menina, mais ou menos da idade de Deise, era atendida por ele. Os dois conversavam e sorriam. Deise não ouvia o que eles diziam, mas seu irmão sim: “Alá, ele também a está chamando de minha noiva, sua bobona!”
Pronto. Tudo ficou escuro. Já não havia mais fogueira, balões coloridos, pés-de-moleque ou maçã do amor. A festa havia acabado para Deise. Seu pequeno mundo de príncipe e princesa estava no chão.
“Não, não é verdade... só Deise eu chamada de ‘minha noiva’”, lembra Igor, consternado e sincero.
Mas Deise acreditou no irmão.
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O tempo passou.
Jovem, ficou – agora, sim – noiva de um sargento da aeronáutica por quem dedicava um amor apaixonaaado. Desses que não se consegue fazer nada sem ele: “Ah, só tem graça se ele for”. Pois, bem. Mas, quase no mês do casamento, acontece sua segunda e real decepção: pegou o dito cujo com outra. E, para piorar ainda mais, seu pai veio a falecer logo em seguida.
No enterro, cobre o corpo do pai com o véu do vestido sem serventia e promete a si mesma que jamais amará outro homem novamente. “Enterro com meu pai o meu sonho.”
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Mas o tempo passa. Graças a Deus.
E, hoje, Deise é uma mulher madura, casada com um fisioterapeuta inglês, mãe de três lindas meninas britânicas. Ela, também, fisioterapeuta. “Ah, estou feliz, sim”.
Moral da história: uma mulher só está pronta para "subir ao altar" e viver concretamente o amor depois que enterra os seus véus.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Ai Meu Deus! É a Manoela!!!!!
Aline! Beijos e valeu por esse texto tão divertido!
Depois de várias tentativas finalmente ia ser ontem, é claro que houve um ou dois imprevistos que atrasaram minha saída do trabalho, mas só osuficiente para que o resto da noite corresse no "timing" certo.
Cheguei meio esbaforida ao café, sabendo que ela já estaria lá esperando a algum tempo, tive medo de não reconhê-la, por só tê-la visto outras duas vezes, então vi uma moça, sentada lendo alguma coisa, fui me aproximando ainda com receio de que não fosse ela, com minha pose formal-tímida, então ela me viu e deu um pulo da cadeira, o resto foi só abraços e sorrisos. "Oiiii".
Comemos o mesmo sandwiche, porque ela não conhecia o lugar e resolveu confiar no meu gosto, tomamos o mesmo refrigerante, porque aí neste caso, era o refrigerante que ela não conhecia.
E conversamos um tempão sobre várias coisas, e o assunto acho que não ia acabar tão cedo, mas eu quis ir ao banheiro e na volta um pouco depois ela quis ir conhecer a livraria que eu disse que havia no andar superior, subimos, reparando agora um pouco melhor no movimento que nos circulava, pois era o Odeon em dia de pré-estréia do filme "o passado", sim, todo mundo lá, todo mundo que eu não faço a mínima idéia de quem seja.
Eu não conhecia e não me importava, mas Val, que conhecia, não se importava mas estava curiosa. Até que me perguntou "O que eles estão fazendo aqui?", eu olhei e vi três velhinhos pomposos, "quem são?", ela riu e disse: "Que bonitinho!" Era os bons velhinhos da família Severiano Ribeiro, achei eles todos muito fofos.
Então subimos, vimos livros, e descemos pelo outro lado, antes que eu me desse conta que estava em um lugar meio VIP completamente bloqueado Val disse "Ih, olha a Bjork".
Sem dar maior importância ao fato, e continuou a descer as escadas, nisso eu estava rosa pink, da cor do vestido de mangas bufantes da Bjork, que por sinal é fofa pessoalmente, sem saber se ia atrás dela ou não, se fosse o que diria, resolvi pegar um autógrafo no livro maravilhoso que a Val tinha me dado, assim teria duas raridas no mesmo montante de papel. Comecei a procurar a caneta, não achava, as pessoas se moviaml entamente, foi quando Val muito entusiasmada quase gritou:
- É a Manoela!!
Meu Deus, quem seria Manoela??? Era uma amiga dela, que estava por alí, se abraçaram, foi lindo, e eu ainda rosa pink procurando uma caneta, tudo se movendo lentamente, era hora, o séquito da Bjork e ela mesma começaram a entrar na sala de cinema, eu fui atrás, não sei para quê, e acabei desistindo no meio do caminho, porque não queria incomodar a Bjork, na volta, passando pela porta o Gael estava lá, belo rosto, baixinho e um pouco cabeçudo, assim como eu é uma pessoa que passa desapercebido apesar de ter um rosto lindo e ser muito fotogênico, fico me perguntando se ele também é modesto.
Disse a Val que não deu, mas que o Gael estava lá, ela achou legal, mas continuava impressionada com a presença de Manoela alí, afinal, que coincidência não??? Quem poderia esperar encontrar Manoela no Odeon aquela noite?...
Bjork e Gael vá lá.
Postado por Lili às 12:48 PM - no extinto Relicário
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Réquiem para um blog apagado
Ora bolas.
O receptor está morto! Não há como reverter isso. Pelo menos não aqui nesse ambiente.
Nos transformamos todos em “emissores”. Receptores de nós mesmos, com bem explica Baudrillard no livro “A Transparência do Mal”.
O OUTRO não existe mais e nos tornamos assim o nosso próprio inferno.
Sim, senhores. O inferno não são mais os outros.
Por isso fica tão difícil manter uma página como essa sem ter ao certo a quem endereçá-la.
Mesmo, enfim, que haja aqui ou ali um ou dois leitores.
Então.
Pois esse mimo de criatura tinha inúmeros motivos para apagar seu belo blog, mas o que mais me chamou a atenção foi não querer ser “mais um copo boiando na rede”.
Talvez porque eu saiba que nem mesmo ela lerá esse texto caso não lhe mande um e-mail pedindo encarecidamente que, por favor, o leia.
Já foi tempo que o sujeito era morto
E sem receptor, meu Deus, o que somos?
Um bando de coitados boiando boiando boiando...
O pior:
A gente nem se importa.
Noite do dia 15/04/08
quinta-feira, 13 de março de 2008
Aline
me fez rever conceitos
e compreender a estranheza com outros olhos.
Bons olhos.
Conhecer Aline
me fez ser o azul e o verde na estrada que leva ao distante azul de outros céus.
Querer sambar
aprender a sambar
frequentar mais a Lapa.
Dormir com um desconhecido e acordar refeita.
Conhecer Aline
me fez querer ser um viralata da Beltrão
correndo manco e feliz pelas ruas do bairro
atrás de restos de churrasco e alguma brincadeira.
Viralata feliz.
Conhecê-la
me fez ter vontade de mandar a Pitty tomar tenência
e de dizer a Luciana que ela devia botar limites no filho e não deixar que ele judie do gatinho recém adotado da casa.
E disse.
Parar de fngir que tem um marido. De fingir para si mesma.
Isso não disse.
Conhecer a Aline
me fez querer dizer não
Amar a Deus sobre todas as coisas
e rezar para o Aluízio.
Não ter mais pena de ninguém
muito menos de mim
ao contrário
dizer sim para mim
e sinceramente sorrir para quem não se importa comigo.
O bom de conhecer a Aline, meu Deus, é amá-la
sem precisar dela
para nada
e simplesmente desejar sua companhia
sem delongas ou dramas.
Conhecer a Aline, aliás,
me fez criar outra Aline
que conheceu outra Valéria
em um universo paralelo
da espuma quântica
proferida por físicos visionários.
Hahahahahaha!
Essa foi boa, não?
:-)
Conhecer a Aline – quer saber? –
me fez amar Marcela Cunha e Sérgio Gramático
como a nenhuma outra dupla!
e querer cantar com eles
aproveitar a vida com eles!
casal gente boa pra caramba.
Conhecer a Aline, enfim,
me faz dizer que a escalada me faz um bem enorme
quando, na verdade, quem me faz um bem enorme é a Aline!
E amar sua concretude
sua inteireza
seus deslizes imperdoáveis e honestamente assumidos
com direito a perdão pela cara lavada.
Conhecer a Aline
me faz reverenciar ainda o homem que a reverencia
sua imagem pouco nítida
miragem infante masculina
Sim, me encantar!
Me encantar com o Guga
por ser o homem que desposou essa Aline.
Também o amo por isso.
Ah, conhecer Aline...
Madrugada e manhã do dia 13/03/08
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Para Vínícius
Dos restos da noite
Michês
mal-amados
sem vez
Exceto por ele
Aquele moleque safado
insistente
desobediente
Que trouxe à proa uma nova alegria
um alento
a brincadeira
a malemolência
gracejos
Sente. A brisa noturna envolvendo o breu
Ouve. A água escura roçando o casco.
Veja
A madrugada nunca mais será a mesma
depois dele
Não mais.
Madrugada do dia 17/02/08
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Súplica
Mais do que aprender, vivê-lo.
E, no entanto, SABE que a única forma de trilhá-lo é através do perdão.
Ah, você já foi um ser tão execrável... pior do que hoje suportaria ser.
Aos amigos sinceros deve a paciência que tiveram.
O carinho. O afeto.
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Agradeço a Deus por isso.
E suplico que me conceda o mesmo dom da espera.
A mesma fé.
Conceda-me um coração disposto.
A graça de perdoar.
Madrugada do dia 14/02/08
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Sim, é esta a via
Às vezes também se perguntará se a sua vida já não é ela mesma um caminho torto há muito tempo desviado.
O acaso de se pegar um atalho e nele ficar por puro desleixo ou distração.
E, depois, esquecer.
A verdadeira lembrança.
Manhã do dia 02/02/08
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
vento a favor
E o que é melhor.
Com tamanha inocência,
que jamais saberá.
Tarde do dia 27/01/08
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Acordou inspirada.
Um vento novo arejava o quarto, o semblante, os cabelos. Seus pensamentos rarefeitos.
Desejou ousar. E dar margem àquele impulso que a sequestrou de sua mesmice matinal.
Criou coragem, não ligou para ninguém, isso mesmo que eu disse: NINGUÉM. E por si mesma decidiu. Vestiu o biquini, um antigo vestido surrado de histórias e sonhos e foi.
Pegou também uns trocados e jogou uma garrafa d'água na bolsa de crochê que sua tia havia lhe dado faz tempo.
Foi bom guardá-la.
Era cedo ainda. Bem cedo.
Um ar gelado sequer prenunciava o sol que o dia prometia. E você aproveitou para andar calmamente até à praia.
A um quarteirão da areia, seu coração deu uma leve desgovernada, batendo um pouco mais forte que o de costume.
O friozinho antes do salto.
Respirou fundo e seguiu.
Continuou andando rumo à sua ousadia.
Pequena, vá lá, mas sua.
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Fora o merguho mais prazeroso que já dera em sua vida.
Como o Ano Novo em que passou sozinha sob uma chuva fina.
O aniversário que comemorou com duas amigas do ginásio.
E o Natal em que todos viajaram. E só você ficou.
Sim, menina, você tem vocação para a felicidade.
É, você tem.
Noite do dia 27/01/08
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
expressões
No popular: "queimar o filme".
Se bem que queimar o filme não vai tanto na questão quanto a primeira.
Praga emocional é + forte e nos remete a nós mesmos.
A como se pode ser mesquinho por conta de presunção ou magoazinha barata.
A como se pode ser horrível às vezes. Pra não dizer muito.
madrugada do dia 20/01/08
em silêncio
Não aquele rir pra dentro que depois ajoelha e lanha as costas de ódio por não ter revidado na hora. Nada disso.
Mas rir pra dentro mesmo.
Guardar a réplica, economizar palavras.
Pra que se explicar...
Deixe que o outro pense os equívocos que quiser de você.
Deixa... seja generoso.
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Vai por mim, deixa.
Noite do dia 18/01/08
